Cada Caminhando[1] é uma realidade imanente que se revela em sua totalidade durante o tempo de expressão do espectador-autor. (...) Você e ele formarão uma realidade única, total, existencial. Nenhuma separação sujeito-objecto. É um corpo-a-corpo, uma fusão» (…) «O Caminhando (…) só passou a ter sentido para mim quando, atravessando o campo de trem, senti cada fragmento da paisagem como uma tonalidade no tempo, uma tonalidade sendo, se fazendo sob os meus olhos, na imanência do momento. Era o momento, a coisa decisiva. (...)
Já experimentei isso no amor, nos meus gestos. E cada vez que a expressão «caminhando» surge na conversa, nasce em mim um verdadeiro espaço e me integro no mundo»(…) «Pela primeira vez descobri uma realidade nova, não em mim. (…) Agora (…) percebo a totalidade do mundo como um ritmo único, global, que se estende de Mozart até os gestos do futebol na praia.»[2]
[1] Caminhando – obra realizada em 1960 em que Lygia Clark, corta ao meio ao longo do comprimento uma fita de Moebius (plano de uma única superfície). Este seu acto não tem fim, já que volta a cortar cada uma das partes obtidas, um acto sem principio nem fim, algo que se pode suceedr até num ciclo infinito)
[2] Da antologia de textos escolhidos, no catálogo Lygia Clark, Fundació Antoni Tàpies, Barcelona, 21 octobre-21 décembre 1997
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